Agrofloresta em Abreu e Lima é Exemplo de Conscientização Ambiental
24/04/2016 - 13h08 em Tecnologia

Por Niedllin Araújo

Já ouviu falar em Agrofloresta? Uma pesquisa rápida no Wikipédia e vamos ter que Agrofloresta é a junção de culturas agrícolas e florestais, o que nos lembra da agricultura. Na agricultura temos o cultivo de plantas com o objetivo de extração sem se importar com a vida do solo, já em Agroflorestas os agricultores cuidam das plantações para que, além de trazer benefícios para si mesmos, a própria floresta também possa se beneficiar.

Incentivados pela ONG (Organização Não Governamental) Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional (FASE), que promoveu o Projeto de Tecnologia Alternativa (PTA), em 1983, que na ocasião funcionava no Centro de Estudos e Pesquisas Josué de Castro, o casal de agricultores Jones Pereira e Lenir contam que iniciou-se por meio de um curso de apicultura. A proposta de Agrofloresta foi feita em 1993 a quatro famílias da região, na comunidade de Inhamã, em Abreu e Lima, já pelo recém criado Centro Sabiá, mas os dois agricultores foram os únicos a aceitar. O objetivo era modificar a maneira de cuidar da terra e tornar os sítios em Espaços Agroecológicos. Hoje o Sítio São João dos agricultores Jones Pereira e Lenir em Abreu e Lima é uma das Agroflorestas mais conhecidas no estado, recebendo visitas para intercâmbio, com a intermediação do Centro Sabiá, de estudantes de diversos países que procuram também trabalhar promovendo a ecologia sustentável. 

O Centro de Desenvolvimento Agroecológico Sabiá é uma organização não governamental com sede no Recife, Pernambuco, fundada em 1993, que trabalha para promoção da agricultura familiar dentro dos princípios da agroecologia. Desenvolvendo e multiplicando a Agricultura Agroflorestal, também conhecida como Agrofloresta ou Sistemas Agroflorestais.

 

A missão do Centro Sabiá expressa o desafio de interagir com os diversos setores da sociedade civil, desenvolvendo ações inovadoras junto ao trabalho com crianças, jovens, mulheres e homens na agricultura familiar. Na perspectiva de que a sociedade viva em harmonia com a natureza e seja consciente, autônoma e participativa na construção de um modelo de desenvolvimento rural sustentável.

O agricultor conta que cerca de vinte anos atrás o terreno possuía solo infértil e desgastado, e nos mostra a diferença do solo cuidado para o solo antigo. O solo antigo é seco e amarelo, o novo parece úmido e saudável com cor escura. Antes o que era plantado no solo desnutrido e descuidado não crescia, e o que já estava crescido não dava frutos. “Precisávamos de dinheiro pra comprar o adubo pra as plantas crescerem, mas como elas não cresciam, não tínhamos produção pra vender e comprar o adubo. Não saíamos do canto”, Jones lembra.

No Projeto da Agrofloresta, para que houvesse crescimento, os agricultores precisariam enriquecer o solo e deixá-lo fértil. “A terra é um ser vivo, e se é um ser vivo precisa ser alimentada”. O solo precisava de ajuda com o processo de doação de nutrientes para as plantas e na conservação de água. Para isso, eles fizeram o plantio de plantas adubadeiras, as quais são podadas e suas folhas espalhadas por todo o terreno para a imitação de uma floresta natural onde o solo é coberto por essas folhas em que além de conservar a água do solo, viram comida para animais decompositores que as transformam em húmus o qual nutre as plantas.

Os primeiros agricultores que se envolveram nas experiências agroflorestais desenvolveram de uma forma extremamente pioneira, a partir dos seus conhecimentos e dos conhecimentos do Ernest Gostch, um agricultor e pesquisador suíço que morava no sul da Bahia e já vinha desenvolvendo pesquisa com sistemas agroflorestais e foi convidado pelo Centro Sabiá. Estas primeiras experiências, na década de 90, foram cheias dúvidas, incertezas e erros. e foi a partir desses erros que se aprendeu mais.


Hoje, tem-se os sistemas agroflorestais como uma referência de desenvolvimento local a partir do potencial que cada agroecossistema tem. Ou seja, os recursos naturais que existem em cada lugar e da força social que cada família tem para ser protagonista do seu processo de inserção na vida social e política de sua comunidade. Foi isso que foi sendo construído, de uma forma lenta e gradual.

Na última pesquisa feita na Agrofloresta do Sítio São João, em Inhamã, Abreu e Lima foi registrado neste mesmo terreno setenta e cinco espécies de plantas, sendo elas plantas nativas e exóticas.

A produção, após ser colhida, parte é transformada em lanches, bebidas, medicamentos e a outra parte é deixada em sua forma natural e tudo é levado para venda numa feira agrônoma organizada por ONGs que acompanham todo o processo. É com essas vendas que os agricultores tiram seu sustento. O casal ainda manteve as atividades de apicultura e também vendem o mel artesanal nessa feira que abre ao público todos os sábados no bairro das Graças no Recife das 5 às 11 horas da manhã fazendo o bairro acordar cedo para recebê-los e se maravilhar com a diversidade de produtos naturais encontrados, além de ser um bom ponto de encontro entre amigos para um café da manhã mais saudável. 

Para esta matéria foi feita visita ao Sítio São João por: Niedllin Araújo, Estudante em Jornalismo pela Fac Guararapes, Elaine Carvalho, Estudante Serviço Social pela Fac. São Miguel e Nier Araújo, Diretor Presidente da Rádio Dom Bosco Abreu e Lima 

 

Texto: Niedllin Araújo (Estudante de Jornalismo FG);

Adaptação para o Boa Família: Nier Araújo (Rádio Dom Bosco)

Link útil: http://centrosabia.org.br/

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